quinta-feira, 21 de novembro de 2019

madrinhagem.

Ao olhar pra vocês dois, eu soube. Talvez por conhecer esse tipo indiano tão bem. Talvez porque, nas trocas de olhares entre os dois uma estrelinha do céu brilhe um pouco mais forte. 
Só sei que eu soube. 
Soube que vocês ESTÃO um pro outro. Não acredito muito em almas gêmeas. Já acreditei, na época dos contos de fadas, lá na infância. Ta, e também durante a adolescência e início da fase adulta. Os filmes passam esse ideal pra gente, e é por isso que perdemos tanto tempo em busca da perfeição.
Hoje, acredito naquele ditado do chinelo torto para o pé cansado. E acho ainda mais bonito do que o beijo do príncipe na Bela adormecida. Nada se encaixa tão bem quanto o porquinho casando com o elefantinho. Isso sim é prova de amor, risos. 
Pouco conheço desse porquinho de olhos azuis, confesso. Foram poucos encontros, na grande maioria, rápidos. Todo oresto conheço pelo olhar suspeito de um completo apaixonado elefantinho indiano. Esse sim, conheço há cinco anos. Ouso dizer que conheço seu avesso. Os sonhos, os fantasmas. Seu lado [e talvez o único] tão humano. Todos os conflitos e as resoluções deles. E, é por conhecer seu âmago, que eu sei. 
Você, Felippe, é o chinelo torto da patinha cansada. E eu não poderia estar mais feliz do que hoje. Poder celebrar a pureza de um amor é tão difícil em um mundo de almas perdidas...! Obrigada por se encontrarem. Por brilharem juntos, por compartilharem esse bocado de amor e carinho que existe entre vocês dois. 
Que seja lindo. Intenso. Mútuo. Leal. Sincero. 
Continuem sendo.
Amo vocês.

domingo, 20 de outubro de 2019

Só dela.

Ela tem o corpo inteiro tatuado. Incontáveis pessoas a questionam sobre o significado de cada uma delas. “Fiz porque achei bonita”, prontamente responde. 

Ela sabe a diferença entre matéria e alma, e é por isso que gosta tanto de desenhar na pele os símbolos de tudo o que acredita: seu coração floresce; seu caminho é direcionado ao sol, assim como os girassóis; seu coração floresce; seu caminho é direcionado ao sol, assim como os girassóis; seus pés são difíceis de fincar no chão, como âncoras, e parecem sempre ser levados pro céu por balões; ela ama o destino;  preza pela liberdade promovida pela natureza e pela nudez; ama o mar e suas conchas; é escorpiana de essência; tem a sabedoria dos elefantes; preza a família e a vida; está sempre em busca do significado da vida, e do autoconhecimento; sabe que o amor pode escapar entre os dedos; gostaria de voar como mariposas; e ama sentir borboletas no estômago. 


Cada risco no tom da pele dourada conta toda a trajetória de sua história até agora. Os desenhos transpiram aquilo que ela sempre pregou pra si mesma: se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo exatamente igual. 

E ninguém precisa entender isso. 

sexta-feira, 19 de julho de 2019

sobre.

Quando eu era criança, queria ser professora. Sentava na pequena área de serviço de um antigo apartamento, onde minha lousa e os gizes que minha mãe comprava, ficavam guardados na lateral da máquina de lavar roupas. Era ali que eu imaginava uma turma de poucos alunos, todos sentados em carteiras alinhadas atrás de mim, enquanto escrevia a matéria no pequeno quadro negro e ditava cada sílaba, esperando que eles copiassem todo o conteúdo. E então eu me sentia gigante. Era como se eu pudesse ser o que quisesse. Me sentia um pássaro com asas grandes, sobrevoando o mundo. Livre.
O desejo de ser professora durou até minha adolescência. Nessa fase deixe de saber ao certo o que queria de fato ser. A real é que ser adolescente é um porre. A gente quer ser tudo e nada. Eu jogava vôlei e fazia isso muito bem. Eu era realmente boa em algo, saca? Em paralelo, me paravam constantemente nas ruas e transportes públicos, entregando cartões de agências de modelo, implorando para que eu fizesse um teste e iniciasse a carreira. E eu simplesmente repudiava. Não queria holofotes, não queria deixar de comer as besteiras que adolescentes amam e não queria passar minhas tardes vestindo roupas, tirando fotos e andando em passarelas. Da mesma forma que,  mesmo sendo muito boa no vôlei, não sabia se queria ser destaque nos clubes e federações.
Era isso, eu simplesmente não queria ser destaque em nada.
E então decidi que seria jornalista. Ficar escondida detrás de folhas de papel era exatamente o que precisava. Saber escrever eu sempre soube. Tive histórias divulgadas em edições de livros escolares desde criança. Eu sabia mesmo colocar meus sentimentos numa folha sulfite. Vomitava quem eu era - ou achava ser. Era isso! Jornalista.
Mas, no final do ensino médio alguma coisa mudou. Por mais que eu soubesse que ser jornalista era algo importante, alguma coisa faltava. Então fui pedir socorro para pessoas próximas, as quais sugeriram que eu procurasse alguma profissão que ajudasse pessoas: seja médica! Seja fisioterapeuta! ... Seja psicóloga!
Psicologia?
E lá fui eu. Ainda sem saber de verdade quem eu era e o que queria, mergulhei de cabeça, o mais fundo que eu podia, nessa profissão maluca e tão desgastante. E foram cinco anos (de curso) permeados por angústias, questionamentos, autoconhecimento, frustrações e noção de mundo.
Hoje são dez. Sem saber exatamente quem sou, mas com a certeza do que quero. Foi um resgate de uma infância já diferente, de uma necessidade sutil de ajudar pessoas. Seja em sala de aula, seja trazendo verdade pro mundo, seja num voluntariado em uma creche com apenas 12 anos de idade (quem raios decide ser voluntário em creche aos 12 anos de idade?!).
Ser psicóloga me destrói e me reconstrói todos os dias.
Ser psicóloga social me faz querer abraçar o mundo e dizer que tudo vai ficar bem, mesmo sabendo que não vai.
Mas, principalmente, ser o que eu sou, profissional e pessoalmente (essas duas dificilmente separadas), me faz entender que, apesar de não saber completamente QUEM sou - se é que um dia saberei - tenho a certeza de saber que sempre vou pro lado dos que necessitam; daqueles que lutam pela sobrevivência; daqueles que precisam, mesmo sem saberem, de um abraço forte e de alma entregue,  de uma escuta e um olhar.
É saber que sempre estarei na frente dessa gente que luta, pra dizer: eu te enxergo.


Obrigada vida, por toda essa trajetória.

domingo, 12 de novembro de 2017

meu 2017.

eu poderia dizer que são os seus cabelos. o jeito como eles enrolam da raiz às pontas e dão o formato exato pro seu rosto marcante. ou então a cor dos seus olhos, e como os cílios intensificam o castanho claro que brilha toda vez que você pisca.

eu poderia ainda dizer que são os seus lábios somados à sua barba bagunçada que arruma o restante do rosto. ou suas grandes mãos, que oscilam entre força e delicadeza, e me conquistam a cada toque.

tem também suas costas, pernas, pés, nádegas e pênis.
poderia ser seu corpo inteiro, entende?

e não é.

são seus olhares. cada vez que você me olha externando esperança, sonhos, expectativas e um bocado da sua alma.
são suas palavras. o jeito como você externa com amor e vivacidade todas as suas histórias e seus conhecimentos.
são os carinhos. e eles você me dá não só com toques, mas com presença. perto. longe.
suas franquezas e fraquezas. seu cheiro.
e a fortaleza que é, sem nem fazer ideia disso.

é seu amor. por tudo o que acredita, mesmo que o mundo duvide.

é João.

eu sei que a gente precisa saber exatamente a hora de deixar o sentimento ir embora.
a vida me fez aprender que dificilmente amar te dá o direito de ser amado.

mas é impossível deixar ir sem te dizer o motivo.
esse mesmo que nem eu entendia. esse mesmo que relutei tanto pra deixar entrar.

tampouco é possível deixar ir sem que você saiba.
que a gente ama sempre num formato diferente, e que possivelmente até hoje você foi meu formato mais bonito. daqueles que dói por ter que ir, e não pela guerra de ficar.

obrigada por selar a paz em um coração cheio de marcas de dinamite.
você foi minha cura.

eu amo você.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

associação livre.12.

e ele chega com cautela, ao mesmo tempo em que demonstra tanta voracidade. 
com olhares e sorrisos tímidos, como se estivesse o tempo inteiro sendo avaliado, se coloca com intensidade nos toques, beijos, lambidas, mordidas. 
ele sabe ser discreto, mas não se esquiva quando solicitado a se expor. 
sabe o momento certo de dizer aquilo que carrega como verdade. 
e encontra o momento exato de demonstrar os afetos que pulsam. no peito. nas calças. nos sonhos. 

e sem esperar absolutamente nada, invade aquele que bate com demasiada intensidade dentro do meu corpo, ocupa um pedaço e finca a bandeira. 


e eu, que sou sempre tão armada, sem dizer nada, despejo pelos olhos o desejo de quem não precisa falar: fica.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

prazer, J.

"29 anos. quantos deles foram só pra ele?", eu pensei.

te conheci não faz nem um mês.
eu e a minha mania de me inspirar em encontros recentes ou longos demais.
é que as pessoas me causam curiosidade, entende?

e você causou.
você tem aproximadamente 1,90 m e seu rosto faz todo sentido pro resto do corpo. o que eu gosto nas pessoas são os traços, e os seus são fortes assim como a sua história e a sua alma.
você se diz tão frágil e eu já te vejo tão enorme e inquebrável.
sua delicadeza é seu escudo. aquele que te protege do mundo e ao mesmo tempo defende todo ele. sua confusão é esclarecida e só você não percebe.
você sabe exatamente o que dizer e quando agir. e quando age com as palavras, são elas que abraçam.

te vejo grande o tempo inteiro. e se eu pudesse, te emprestaria meus olhos embaçados, mas que já te enxergam tanto. e você conseguiria ver o Universo que vejo dentro de cada ponto e vírgula que você digita.

não sei se são os óculos, o olhar tímido, as palavras arrebatadoras... e não importa.
você clareia por onde passa com poesia e prosa. ao mesmo tempo que acredita ser escuridão.
se perde na insegurança mais pura de qualquer adulto que eu já tenha conhecido. e faz os outros se assegurarem das mesmas potencialidades que você tem.

a sua essência é linda.
e grita.
e te assusta.
e cativa.

e EMOCIONA.

você é todos os sentidos em um corpo só.
e é por isso que no amor e sexo você não consegue ser menos que J.

te enxergo lindo, imperfeito, humano.
e anseio sua ausência de medo pela vida.

"é... 29 anos vividos pra ele", concluí.
- ele só precisa de uma oft-alma.

(voltei a escrever.
                      obrigada.)

terça-feira, 16 de junho de 2015

eu te amo desde o dia em que te vi, mesmo não sabendo que já era amor.
e desde então, continuo te amando, depois do primeiro beijo, e do primeiro riso, e do primeiro pedido, e do primeiro vinho, e da primeira transa, e da primeira briga, e da primeira reconciliação, e dos tantos outros primeiros que vieram. e ainda vêm.

eu te amo triste, feliz, irritado, em êxtase.
e te amo criança, adolescente, adulto e velho.

eu te amo quando acordo, mesmo quando o dia está tão frio e eu estou tão exausta e mal humorada. mas é quando eu abro os olhos que lembro que te amo. e então tudo passa a fazer sentido.
eu te amo enquanto me troco, me maqueio, corro pro ponto de ônibus, atravesso as ruas, ouço música, ando a pé, dirijo, trabalho e converso.
também te amo enquanto sonho. e se não lembro, imagino que sonhei com esse amor.

eu te amo quando resolvo te odiar durante alguns segundos. só porque você me fez ter a absoluta certeza que nem o ódio desconstrói tudo isso que criamos.

eu te amo enquanto enxergo as pessoas. quando não enxergo letras. quando penso e quando resolvo não pensar.

eu te amo no meu passado, e te venero no meu presente. te projeto no meu futuro.

eu te amo, você crendo ou não.
querendo ou não.

sou sua. e te roubei pra mim.

domingo, 24 de maio de 2015

associação.livre.11

Eu luto pra não te querer. Mas, quanto mais luto, mais quero.
Nossas diferenças constantemente nos sabotam, e é disso que vivo tendo medo.

Eu só queria ter uma bola de cristal pra ter absoluta certeza de que somos pra sempre. Pra que esse medo de sofrer vá embora de uma vez. Inclusive o seu.

Eu sinto a sua falta todos os dias, e quando penso em você minhas lágrimas escorrem compulsivamente, como se precisassem esvaziar minha alma dessa angústia que me cerca todos os dias.
Como se precisassem transbordar esse medo que eu sinto de te perder pra sempre. Mesmo tendo escolhido a distância. Sem nem ao certo saber por que.

Eu oscilo entre.a certeza do meu amor, e o medo do não.

Tenho me sentido uma menina de 15 anos, amando pela primeira vez. E tem doído.

E agora, eu só queria você aqui do meu lado, me abraçando forte, e dizendo que vai ficar.

terça-feira, 19 de maio de 2015

associação.livre.10

eu vejo cores em tudo o que é preto e branco.
do que é passado, me permito sentir um presente.
é como se, mesmo não fazendo o menor sentido, tudo se encaixasse.

se.

a angústia de uma antecipação infindável. nada parece finito, mesmo caminhando por pontos finais.
diariamente, uma respiração ofegante exatamente às três e meia das tardes. todas elas. e se estendem, novamente infinitas.
a pausa dos meus sonhos, como morte súbita.
ressuscitam às oito horas. sempre constantes, repletas de saudade.

por que pareço tão vazia?

e meus olhos mais uma vez, cheio de lágrimas.
transbordo poucos sorrisos.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

sinto sua falta.
        enquanto respiro.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

é. foi. fui.

Talvez você não entenda agora. Talvez nunca vá entender.
E talvez, por conta disso, me odeie.
E eu respeito.

Eu só queria mesmo que você soubesse que eu te amei demais. Que eu me entreguei demais a tudo o que nós dois vivemos juntos. Com toda a intensidade que eu tenho dentro de mim.
E que lutei contra meus fantasmas o máximo que pude. E não foram poucos. Ainda não são.

Queria que você soubesse que um pedaço enorme meu já é seu. E sempre será. Independente de você querer ficar com ele, ou simplesmente jogar fora. Mas parte do meu mundo é seu.

E que eu não guardei só os momentos ruins, mas principalmente todos os bons. E linhas lágrimas comprovam isso. Porque sei da falta que farão.
Mas também sei da injustiça que é para com nós dois deixar esse amor virar raiva, amargura, lamentos e negatividade. Se for pra acabar, que seja enquanto ainda me parece lindo. Por mais que doa saber que as diferenças esmagam e que as inseguranças sufocam, ainda existe uma beleza que eu quero e preciso levar.

eu preciso que você seja feliz. que eu seja feliz. que sejamos.
necessário você correr atrás do que pra você tanto importa. e lamento não poder mais ser quem eu era antes. eu ainda sonho em ser diferente e não transformar minha alma com as mágoas que ficam. sofro bastante com esse meu jeito que é meu e sempre será. coisa de escorpiana, talvez. você definitivamente deve achar isso.

eu te amo. mas precisei ir. e me dói, mas me dói ainda mais enxergar um futuro próximo cheio de rancor.

talvez você não entenda. talvez nunca vá entender.

mas eu só quero dizer que te amo. e que amor não passa.
obrigada por me fazer feliz.

e um dia a gente se encontra.

segunda-feira, 16 de março de 2015

...

e quando o que é bom vira saudade?

me sinto pesada. comigo, carrego cargas de algum tempo de mágoas acumuladas. eu queria ter a facilidade que você tem de "esquecer" o que já foi, e só lembrar quando convém. diariamente, tenho remoído "pauladas" que a vida me deu.

"a vida". essa que eu escolhi.

em meio a pensamentos recorrentes e torturantes, me questiono sobre o que ainda faço aqui. tenho deitado todas as noites e, pelo menos por alguns segundos, choro. eu transbordo uma tristeza que não é minha.

ou falo. ou umideço.

relembro, enfim, o começo. sempre ele, insistentemente, batendo na porta da minha saudade. e então a dúvida: por que as coisas não permanecem como um dia foram?

eu desejo a esperança que eu um dia tive em nós dois. bagunço minhas gavetas tentando encontrar o que eu perdi.e, no decorrer da constante busca, tenho levado alfinetadas nas pontas dos dedos. e sido permeada por uma exaustão que vira sintoma.

não era pra ser assim.

e machuca.

me quero de volta.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

angústia.

muita coisa vai se perdendo pelo caminho.
parece inevitável.
eu sinto falta de uma paz que eu carregava lá na frente. um sentimento daqueles que a falta de ar remetia ao amor. e um mundo cor de rosa, onde qualquer tragédia evaporava num piscar de olhos: dos seus.
me lembro que o mundo só fazia sentido mesmo, quando você chegava. eu me sentia dentro de um espaço que bastava. o mundo era inteiro ali, e o barulho de fora representava a minha surdez. a surdez de alguém a que só interessava um tom de voz: o seu.

e os toques... é, esses toques de duas mãos que, ao encostarem em mim, traziam o amor pelos dedos. eu sentia a energia transpassando pela ponta de cada um deles, diretamente para a minha pele.

eu sinto falta daquela certeza.

e daquela  crença absoluta de que era pra sempre.

o problema dos contos de fadas são os finais. a gente deseja o infinito e, então, o futuro te derruba com incertezas e a finitude descarada, fazendo caretas.
hoje, incertezas. existe um medo dentro de mim que imediatamente me arma e me esquiva frente a quaisquer ameaças: a falta dos toques, ausência de olhares, silêncio. o não.

é essa distância do conto que eu criei me perde de você.

e longe de ser princesa, me ergo em feridas daquilo que se perdeu pelo caminho.
inevitavelmente.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

princesa.

quando eu te conheci (e não demorou muito pra eu te amar), prometi pra mim mesma que te amaria pelo resto da minha vida. (in)felizmente eu funciono dessa maneira. não sei ser mais ou menos. coisa de signo, talvez. ou de Bruna mesmo. sempre fui "oito ou oitenta", tudo ou nada.

não poderia ser diferente com você.

e eu tenho um jeito de amar que, sinceramente, não sei se é certo ou errado. e, na verdade, não acredito muito nesse discurso cheio de esteriótipos. cada um tem sua maneira de enxergar as coisas, e consequentemente de viver a sua maneira. respeito.

o ponto é que: o meu amor tem que ser pleno. e ele carrega, consigo, as coisas - do meu ponto de vista - essenciais pra que ele permaneça numa constante e, assim, dure "pelo resto da minha vida".
lembro do discurso do pastor do casamento que fomos, e um momento específico em que segurei o choro. foi quando ele dizia das três coisas essenciais dentro de uma relação. e era exatamente o mesmo pensamento que o meu.

eu tenho 27 anos (quase 28), mas acho que sonho de amor não tem idade. eu abri mão há muito tempo do meu conto de fadas. deixei de lado a ideia do sapatinho de cristal depois de levar tanta porrada do amor. mas, dentro de mim, aquela garotinha que espera ser tratada como uma princesa (contemporânea), ainda grita. e eu ainda espero o respeito. ainda espero o buquê de flores numa segunda-feira sem graça. eu ainda espero surpresas bobas sem datas especiais.

eu não quero um beijo do príncipe encantado pra acordar de um sono profundo. eu quero não precisar lembrar que eu mereço ser tratada com muito amor. porque eu sou tudo isso sim. eu sou muito, perto desse mundo de pessoas sem valores. e eu simplesmente não quero ter que diariamente reiterar o óbvio.

você chegou sorrateiro e roubou completamente o meu coração. e isso não é segredo mais pra ninguém. mas, assim como roubou, tem ultimamente amassado com prazer cada pedaço dele, me deixando sangrar toda vez que me trata como o resto.

tem uma cerca elétrica tomando conta de todo o contorno do meu coração.
esperando o momento de eletrocutar novas e futuras tentativas de agressão.

você tem jogado o "resto da minha vida" numa lata de lixo.
e, quando o caminhão passar, não terá devolução.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

bandeira branca.

meus últimos dias foram demasiadamente difíceis. pra se sincera, os últimos quatro meses. você não faz ideia a tortura que é ficar em casa, esperando novas oportunidades. e, enquanto isso, sua cabeça te sabotar e desmoronar pouco a pouco os seus sonhos.

às vezes eu desejo que o o ano retroceda. pra apagar 2014 em sua grande parte. lembro do ano passado e meu coração sente um aperto de saudade. foi quando tudo parecia estar dando certo. eu estava completamente feliz.

eu te conheci.

mas, retomando o pensamento, e concluindo pela impossibilidade do retrocesso, lamento meus últimos 20 dias, aproximadamente. nunca achei que viveria um turbilhão como vivi. e descobri que a gente só sabe o que vai sentir, exatamente quando passa pelo o que eu passei.

e então, eu procuro a calmaria em você. nos seus olhares, nos seus abraços, nos seus carinhos, nos seus beijos... no seu amor. é dessa calmaria que eu preciso. poder confiar todo o meu corpo somente a você. porque, entenda, é só a você (e aos meus pais, claro) que eu confio a minha vida. porque, veja, meu coração é seu. e, sem ele, eu não vivo. nada mais funciona. e eu só preciso que você segure ele com todo cuidado e não deixe ele cair.

ainda estou buscando essa calmaria. porque, apesar do turbilhão ter passado, o meu corpo inteiro ainda não entendeu isso. então ele tem brigado grosseiramente comigo. me atacando as costas, a cabeça, o estômago... e eu não queria mais ataque.

queria pensar no nosso futuro. no "eu aceito", que a gente tanto fala. no tapete até a beira da praia, os nossos pés completamente descalços, as poucas cadeiras com pessoas nos observando, as almofadas gigantes, com velas para iluminar o começo da noite. e nossa casa. nossos cachorros. nossos pés entrelaçados. e a certeza de que fizemos a escolha certa. absolutamente.

enquanto isso, suas mãos nos meus cabelos, sua respiração na minha nuca, seus olhares ligeiros enquanto finge que dorme. e a vontade de nunca mais sair do seu lado na cama.
me traz calmaria, meu amor.

eu amo nossos detalhes.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

deve ser o frio...

... mas, lembro ter ouvido uma vez na Televisão, um pensamento que dizia: "bem aventurados os corações flexíveis, pois eles nunca se partirão".

desde então, sempre relembro essa frase. principalmente quando estou longe de você. achei que seria mais fácil agora. parecia tudo tão certo. essa sua decisão de pôr um fim na nossa história, decisão aceita por mim. nossa conversa pareceu tão esclarecedora, que eu tive a certeza de que ficaria bem.

doce ilusão.

queria ter a facilidade que você tem de encontrar outras pessoas e viver tranquilamente sua vida. cheguei por um momento a associar à idade. mas, depois lembrei que sempre morri de amor(es). nunca consegui - como você - na mesma semana "estar a disposição" de qualquer outra pessoa que fosse. deve ser bom. leve. tranquilo.

eu sempre me sinto pesada. como se eu carregasse nos ombros uma bigorna, que sempre me puxa pra baixo. eu sinto tanto a sua falta.

e estou aqui, diariamente, aguardando por dias melhores.
como os seus.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

30.08.2013 - 24.07.2014: e o infinito.

desligamos há pouco. conversamos como nunca antes. pelo menos não me lembro de qualquer conversa parecida.
sinto um pouco de enjoo, mas acredito que seja normal. tem aquele momento da digestão do luto, que requer algum tempo. vindo de mim, um bom tempo.

divagaria dias contigo ao telefone, não só sobre nós, mas sobre a vida. penso, no entanto, ter falado tudo o que podia antes de ouvir os dois barulhinhos e o silêncio do outro lado da linha.

relendo meus textos do blog, consequentemente relembro as minhas histórias de amor. sempre escrevi pra mim mesma, e poucas vezes divulguei meus textos para os protagonistas das estórias. e, apesar da intensidade das minhas palavras serem bastante similares, os amores nem de longe são.

de todos os amores até hoje vividos, foi contigo que eu mais aprendi. e com quem mais fui "eu". das outras vezes, vesti armaduras fortes, impenetráveis, e criei personagens pra manter o que eu acreditava ser recíproco. ilusão.
foi com a sua reciprocidade, e com o seu amor mais puro, de um garoto que sempre só quis viver, que eu pude ser eu mesma e enfrentar, paulatinamente, todos os meus fantasmas. testei diariamente as minhas inseguranças de um abandono aterrorizante. e me entreguei com uma veracidade e com a maior sinceridade do mundo. me despi, e não só literalmente. despi minha alma. você me ensinou a nunca ter medo de viver, e sempre combater os tabus do mundo quando se tem desejo e amor.

todo mundo sempre me achou "maluca" de dar a cara pra bater, ao enfrentar os outros (principalmente sua família). e eu descobri que, pelo nosso amor, eu enfrentaria o mundo ao seu lado.
meus lados. mostrei todos. alguns não agradaram, e aprendi que também posso desagradar. que não preciso alcançar a inalcançável perfeição.
aprendi a perdoar. deixar de lado o orgulho pra lutar pelo que acredito. e lutei. errando, acertando, sofrendo, sorrindo. lutei até o final.

nossos dias, juntos, foram lindos. separados, atordoantes.
nesses últimos meses, você foi a minha alegria. e também a minha angústia. mas SEMPRE, o meu amor.

obrigada pelas possibilidades. por você entregar quase onze meses da sua juventude a mim. por compartilhar o seu amor e por me deixar te amar. mesmo que com ressalvas e algumas boas defesas.

se eu pudesse voltar no dia 30 de agosto de 2013, faria exatamente a mesma escolha: você.

eu te amo. muito. e isso o tempo não apaga.
...
já sinto a sua falta.

com carinho,
Baby.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

das piores dores do mundo.

talvez um dos casais mais improváveis até pro Papai do Céu. nós dois somos a combinação perfeita dos signos, e isso é um tanto irônico. a gente se encontrou de uma maneira tão improvável, e tudo parecia tão certo. foi com você que eu me senti uma menina de 15 anos se apaixonando pela primeira vez. e foi com você que eu burlei quaisquer regras e éticas, por amor. me lembro como se fosse ontem cada ida à escada de emergência e cada beijo intenso no muro ao lado do Fórum. você me fazia perder o ar e eu ouvia seu coração bater tão forte que receava um ataque cardíaco fulminante.

eu sempre fui viciada em intensidade, e você foi a maior delas, em toda a minha vida. 

eu derrubei cada barreira de cada dedo apontado, atirando julgamentos de uma diferença de idade que nunca teve a menor importância pra nós dois. e eu tinha, no mundo criado na minha cabeça, a absoluta certeza que de todos os homens do mundo, você seria o único a me convencer a entrar na Igreja e repetir o discurso maluco de um padre. 

foi você que eu escolhi pra mostrar pro mundo que amor independe de qualquer coisa. e consegui, vitoriosamente, que as pessoas enxergassem o nosso amor. 
eu tenho dentro de mim duas caixinhas com o seu nome, separadas para guardar o bom e o ruim. e apesar de tudo, a caixinha "ruim" nunca transbordou. mesmo sendo menor, nunca sequer encheu. 

foi você que eu escolhi pra oferecer meu coração, a minha vida, tudo o que é meu. pra acordar pensando e pra dormir pedindo o melhor que o mundo puder oferecer. foi por você que eu perdi o sono e até a fome. e pra quem eu resolvi voltar, por não conseguir imaginar a minha vida sem. 

como cão e gato, a gente late e se arranha, relutando pra deixar um entrar definitivamente na vida do outro. e eu não sei ao certo porquê. defesa, talvez. medo de se perder no mundo um do outro, e não conseguir nunca mais sair. 
acontece que eu me vejo completamente perdida sem você. como alguém que enxergou a vida inteira e, por um incidente da vida, perdeu a visão. 

você foi embora com 50% do meu coração, voltou, e está indo embora com o restante.
eu, com 100% do meu coração nas suas mãos, permaneço em by pass. 


das piores dores do mundo,
seu adeus. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

da maneira mais simples:

era uma vez um casal.
o acaso colocou ambos exatamente no mesmo caminho.
ela, desiludida com o amor. ele, iniciando a prática do sentimento.
alguns anos separando, a priori, duas vidas.

se aproximaram. graças a ela. de alguma forma, ela já sabia. os olhares sutis (mas nem tanto) dele, instigavam. ela queria saber mais. dele. deles, juntos. abriu a porta, ele entrou. e a porta já estava trancada.

acontece que nada é tão fácil quanto parece, e a maneira diferente de ambos enxergarem a vida, prejudicou. ela tão tranquila e tão certa do que queria: ele. ele nada certo do que ela queria: ele. e, no decorrer dos meses, sentimentos de amor e ódio, oscilando como num transtorno bipolar.
no final, mágoa.

e então, eles se separaram. da pior maneira possível. machucaram-se, como puderam. e o vazio. ah, aquele vazio! pior do que a descrição dos textos de Lispector.
como ficar longe de um amor indescritível?

impossível, naquele momento.
resgataram-se. perdão, carinho, beijos e amor.
promessas de mudanças.
nulas.

pessoas tentando invadir o amor fechado a sete chaves.
e ela, apesar de tudo, com a absoluta certeza de que é ele e só. não há ninguém que possa invadir o terreno que ela cercou pra ele ficar. mas ele não entende. simplesmente não compreende. e insiste em achar que ela prefere os outros a ele. e que esse amor que ela demonstra diariamente, não é o suficiente.

e ela, então, começa a compreender que talvez, pra ele, esse amor que é tão único hoje em dia, em um mundo onde as pessoas se descartam e se desrespeitam, talvez não seja realmente tão valoroso pra ele, como ela gostaria que fosse.

e o que ela não queria que tivesse qualquer final, talvez tenha.
e ela aguarda o capítulo dois:

domingo, 6 de julho de 2014

associação livre.9.

difícil não esperar nada quando se tem amor na jogada. parece que cada célula do seu corpo resolve pedir oxigênio exatamente ao mesmo tempo. e então todo corpo foge do controle. desorganiza.

é normal sentir medo de sofrer de novo? me disseram que é. eu me disse que é.

quando a gente "perde" alguém pra outra pessoa, o mundo desaba. você se questiona o que fez de errado. por que não conseguiu fazer o outro feliz. se autodestrói aos poucos. em um primeiro momento.
no segundo seguinte, odeia. por fim, aceita.

e daí, a pessoa volta. e o amor está ali. aparentemente intacto.
só que o resto do corpo começa novamente a exigir oxigênio pra todas as células. dessa vez, insegurança. medo. esquiva. boicote.

tenho a mania de reagir conforme a ação do outro. ou então de acordo com a interpretação que dou à ação do outro. autodefesa emocional. peco às vezes. natural. peço desculpas. espero que aceite.

faz uma semana e três dias. o que somos exatamente? namorados (como agimos), solteiros (como ambos os status do facebook), enamorados (como quando nos beijamos), amantes (como quando transamos)?

frieza. da dificuldade que tenho em lidar com isso.
não faz sentido pra mim.
como amar alguém dentro de um iglu?

prefiro o quentinho de uma fogueira.
só precisava de ajuda.

ajuda?