sábado, 5 de fevereiro de 2011

de dentro.

o mundo me empurra oportunidades.
cospe todas na minha cara, me incapacitando de boicotá-las.
eu sempre tive a mania de forjar uma cegueira das hipóteses e fatos, como uma forma de me isentar de qualquer responsabilidade sobre o certo.
tenho uma loucura lúcida de desgostar de certezas. e, ao mesmo tempo, anseio diariamente um colo pra deitar. um colo que não se esquive toda vez que eu pedir pra ficar.
quando as certezas me encontram, corro desesperadamente à direção contrária. é uma fobia incontrolável por saber que existe algo e/ou alguém no mundo que queira se encaixar no meu.
afinal de contas, o encaixe comumente é talhado por mim. a gente se acomoda ou então se condiciona muitas vezes a se manter em uma posição nem sempre satisfatória, mas oportuna. e existe um ganho, por mais distante que aparente ser.
e quando todas as certezas se tornam incertas, retiro do âmago um encantamento incomum - comum pra/em mim. passo então a almejar imensuravelmente o que nem de longe é igual. é como uma prova de liderança. de mim pra mim mesma. uma necessidade de provar ao próprio 'eu' a capacidade de transformar o talvez e o não novamente em sim. um narcisismo transformado em desrespeito egóico. algo do tipo.
sempre denominado como alguma forma de amor. pro Outro.
e que, de alguma forma não deixa de ser. me entrego a luta de te ter.
bonito, se não fosse deveras doloroso.

sábado, 29 de janeiro de 2011

nothing at all.

não sei o que esperar.
digo, de mim mesma.

eu tenho uma ansiedade de amor tão imensa e uma disponibilidade do meu 'eu' quase plena.
quase.
tem um pedaço aqui dentro que grita frases desconexas e específicas sobre o sentir. o sentimento, ao mesmo tempo que carente é corajoso o suficiente pra não se encantar com qualquer expectativa do lado de lá.
eu não sei distinguir ao certo se é o cérebro ou o coração que pulsa ardendo quando pensa em uma oportunidade incompleta. tampouco sei justificar o vazio que identifico com facilidade.
eu só compreendo e externo.

ao mesmo tempo que, quando consciente de que o abraço me proporcionará borboletas, o meu cérebro - ou novamente meu coração - pula desesperadamente em direção ao inseguro. independe de qualquer concretude de chão, de base. a minha alma se coloca na frente do carro sem ao menos questionar o funcionamento do freio.
e normalmente é atropelada. machucada. espancada.

toda alma tem plena consciência da flexibilidade do mundo para as escolhas. a minha sempre tem e sempre escolhe a impulsividade. na hora errada. talvez certa. pra mim.

inconseqüentemente, decide se aproximar do ponto de queda mais oportuno.
sem poder esperar absolutamente nada.
nenhuma falta de ar.
do lado de lá.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

liberta.

e acabou.

acabou mesmo e ficar temporariamente sem rumo não me dói mais.
aquela sensação de vazio e a necessidade de preenchimento permanecem. mas do novo.

eu sou assim. continuo assim.

acordar um dia e descobrir que o amor acabou é um tanto inusitado. sou do tipo que dorme agarrada no travesseiro e no meio da noite perco ele por aí depois de tanto me mexer, depois de tanto sonhar e sofrer dentro dos próprios sonhos. acordo assustada procurando o acolhimento que o tecido todo dá e acho as penas jogadas pelo quarto e o resto do travesseiro na quina da porta.
a diferença é que antes eu levantava e buscava agarrar as sobras do conforto com medo de não ter mais nada.
hoje eu esqueço o travesseiro e resgato o sono agora calmo. não preciso mais da sobra, do resto. não sinto mais a falta de acolhimento ou o abandono (in)voluntário. eu sei lidar com meus próprios sonhos e a própria busca por um lugar calmo que não se afaste de mim por qualquer impecilho ou obstáculo ou terremoto.

eu prefiro ficar e simplesmente deixar ir.

e esperar um pedacinho de coberta que me acolha parcialmente, sem precisar me esquentar inteira. eu sou o quente. só preciso de uma pequena chama de fogo.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

nunca me achei suficientemente boa para ser amada incondicionalmente por alguém.

hoje me acho.

sábado, 24 de julho de 2010

final de sábado:

tentando me manter forte. de pé.
o amor é vício.
a desintoxicação maltrata todas as partes do corpo.
mas o final é leve.

tem que ser.

terça-feira, 29 de junho de 2010

tudo que se tem é nada.

em alguma parte desse mundo que eu criei, você me ama. seus olhos brilham por mim toda vez que me vêem. seu coração bate tão forte e então você acha que vai explodir . e todas as partes do seu corpo têm absoluta certeza que sou eu. eu sou exatamente a pessoa que você sempre desejou... pro resto da vida.
esse mundo só tem uma estrada. e essa estrada só tem um final. nesse mundo existe um único beijo perfeito, um só olhar certo, peculiares mãos que afagam e voz que acalma. tem aquele jeito certo de escolher a hora exata pra falar o que preciso ouvir. e as bobagens... as bobagens se dissolvem como algodão doce na boca.
é um mundo justificável. sem qualquer impossilidade. os gritos são abafados pelo jeito que me faz sorrir. e não tem hora errada, nem finitudes. é tudo pra sempre. e tudo é tão bonito e tão colorido e faz calor. e, mesmo assim, quando ouso sentir frio, tem aquela primeira jaqueta que me esquentou pela primeira vez.... e, então, pra sempre.
esse mundo aqui, esse não aceita lágrimas. qual motivo eu teria pra perder forças senão com esse amor sublime? é proibido. e, ainda assim, eu não me importo. porque só penso em sorrir pra você. por você.
em todas as partes desse mundo, tudo me lembra todos os momentos vividos. e daí eu tenho cada vez mais certeza de que vale a pena e que o amor é de verdade. e vem dos dois. e eu passeio por tudo isso sentindo as mais diversas espécies de borboletas, voando, aqui dentro do meu estômago. e eu te conto e você me diz que com você é igual. e rimos juntos.
nesse mundo que eu criei, todas as danças são suas. e os passos são certos. e a sintonia, incrível. os sonhos se tornam a mais linda realidade no dia seguinte.

esse mundo aqui, esse que eu criei... não existe.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

meu inconsciente me trai, ou eu traio meu inconsciente?