segunda-feira, 8 de agosto de 2011

velho/novo.

Tinha esquecido como era.

As borboletas, pensamentos novos, expectativas, alguns curtos planos. Algumas frustrações.
O aperto no peito que quer gritar. E então, a repressão. Tentar manter o equilíbrio pra não enlouquecer. E esperar. Sempre esperar. Tentar pensar menos, focar no concreto. Cortar as asas e deixar de voar.

Sentimentos novos são sempre súbitos. Intensos. Agudos mesmo. E entrar em contato com eles é sempre um pouco angustiante. Ou muito. Codificá-los, traduzi-los, organizá-los. Medir. Dosar. Decidir pra onde ir. Como ir e porque, finalmente, ir.

D.E.C.I.D.I.R = Racionalizar o que é puramente emoção.

Desaprendi como deve ser.

domingo, 24 de julho de 2011

notícias.

depois de alguns meses, volto.
com alguns daqueles fios soltos, conectados por ora.
outros permanecem desconectados, a procura de qualquer brecha de conexão. não precisa ser a mais potente. só precisa ser cabível.

passei alguns meses um tanto perdida dentro de mim. procurando novos caminhos, insistindo em alguns já conhecidos, levando alguns tombos e pedindo ajuda pra levantar. a amitriptilina me ajudou consideravelmente. inclusive a descobrir que não preciso dela pra voltar a caminhar. eu tenho potencial de sobra pra isso.
enxerguei com novos olhos. um transplante de córnea simbólico. fi-nal-men-te eu percebi o que já não era mais. e o que eu insistia tanto ser. o medo do novo terreno, das armadilhas e dos possíveis tombos. o ponto é que eu aprendi a tombar. e aprendi que não se pode evitar. é necessário.

não mudei. cresci. e paulatinamente, permaneço crescendo. resistindo a algumas mudanças que SEI serem necessárias. mas não estou preparada. permaneço impulsionada por desejos maiores do que minha razão. permaneço tentando quando o mundo diz que NÃO. permaneço acreditando na verdade mais cabível pros momentos meus. plugando os cabos em conexões ruins, causando curtos aqui dentro. conectando fios em instantes únicos.

eu permaneço aqui.
caminhando.
um pouco diferente.
mas com a mesma essência.

domingo, 1 de maio de 2011

caminhão - dela:

vira e mexe lembro do texto mais tocante - pra mim - que a Tati Bernardi já escreveu:



O mundo vê um passinho pra trás. Mas em algum lugar do cosmos, ouve-se um caminhão da Granero frear. Um barulho imenso, desengonçado, batem atrás, cercas arrancadas, quase cai no fim do mundo, móveis baratos despedaçados pela cidade.
O tempo todo me dizendo menos. Menos. Pra aguentar, por favor. Pra ter alguma coisa, qualquer coisa. Duas semanas. Um mês. Menos. Menos dor, menos amor, menos ódio, menos vontade de fazer cortar. De sangrar pra fora pra poder ser menos. Por favor.
Sorria como a moça da mesa ao lado, coloque um montinho de cabelo atrás da orelha, alongue um pouco o pescoço. Seu olhar está perdido porque pra poder estar naquela mesa ela foi matando pouco a pouco sua ferocidade. Mas ela toma chá e sorri. E você? Você mais uma vez vai voltar cheia de razão e sozinha. Cheia de tudo que não esquenta o pé. Cheia das facas enfincadas em volta do coração. Mas pensando “ainda falta o centro, ainda posso dar mais uma chance”.
O tempo todo maquiando o caminhão, para que pareça uma minivan ou qualquer coisa tão desengonçada e apressada quanto, mas mais cabível. Que possa estar na estrada que todo mundo está parado, o eterno trânsito de chegar nesse lugar que a gente acha que é o único porque estão todos lá.
E no meu ouvido, o tempo todo soprando. Esqueça isso, você não cabe, você não combina, a estrada não é feita pra você, você só pesa nela, só atrapalha, só é feio e odiado. É isso, não se desvira caminhão. Se é e pronto. Solitário demais, terrível demais. Mas pro outro lado, está vazio. Tem espaço pra você. A dor de virar um carro família, um carro esporte, um carro compacto. Não aguento mais, não aguento mais querer me refilar, não aguento mais querer mudar a química do meu cérebro, não aguento mais pedir perdão. Não, caminhão, tantos anos tentando, não, você não pode, não consegue, é assim. Do outro lado, uma estrada imensa. O caminho claro, bonito e sem buracos, dos que desistem.
Isso, mais uma vez, mas dessa sem voltar. Você não sabe amar, caminhão. Não pode. Não é feito pra você. Dê meia volta, por favor, sem atropelar, sem matar, sem cair, sem levar ninguém. Na tristeza dura de quem tem tanto tamanho mas não tem força pra suportar. De quem tem tanto tamanho e não consegue por medo em ninguém. De quem precisa tanto de abraço mas é grande demais pra sentir os braços em volta. De quem poderia estraçalhar os carros família mas só sente o peso insuportável de ser minúsculo perto deles.
Claustrofobia, pânico, insuportável. E então, o som, mais uma vez, puxar o freio, largar a mão, dar meia volta. Tchau, meu amor. Olhe quantos carros pequenos. Não queira mais saber dessa grossura destrambelhada que só leva mudanças porque ir embora parece um lugar com mais ar. Se você não pode ver meu coração de carruagem, ou sei lá que carro poético poderíamos imaginar agora, eu também não quero mais ser nenhuma outra coisa.
De todo mundo que eu vi de costas, partindo, foi a vez que mais doeu. Talvez porque um pouco antes, quando eu ainda amava sua nuca e sua eterna mochila nas costas como amei poucas coisas na vida, você se virou, apontou o dedo pra mim, e gritou, com pouco ou nenhum carinho: você é um caminhão! Caminhão! Caminhão!
E eu sei, e eu tentei mais do que nunca, e eu quis mais do que nunca. E eu achei que os caminhões também pudessem ter donos e direções e medalinhas. Você também me usou pra levar sua mudança e voltar vazia das suas coisas é a coisa mais triste que já aconteceu na minha vida.

in-vencível.

nem sempre o resultado de uma escolha é positivo. a gente percebe os desejos todos e então crê que aquilo é certo e escolhe arriscar ou esquivar.

são poucas as vezes que esquivo. normalmente eu me arrisco independente da consequência em mim. o fato é que quando eu sei que a única a sofrer sou eu, consigo enfrentar todos os obstáculos e medos e fantasmas que me perseguem. e então eu dou a cara a bater.

o único problema é que desconto toda a frustração em mim mesma. como se eu merecesse mesmo a derrota. é inconsciente. isso, infelizmente, eu não escolho.

há uma intrínseca e demasiada compreensão do ser humano dentro de mim que não me deixa gritar. acabo oferecendo o ombro pro mundo e perdendo os meus dois braços pra me dar um pouco de abraço.

a gente se abraça o tempo todo. é conforto.

e eu costumo perdê-lo.


eu devia acreditar um pouco mais na minha pele e no meu osso.

e entender o quão humana eu também sou.

domingo, 24 de abril de 2011

e quem disse que ser feliz de novo não assusta?

a felicidade é demasiada assustadora.

domingo, 10 de abril de 2011

eu resolvi abrir as portas pro mundo e o mundo fecha as portas pra mim. é tudo questão do tempo certo, dizem. talvez seja mesmo. quando eu resolvi abrir as portas pro mundo, já era tarde demais. esse mundo diferente de tudo que eu posso ser. é uma luta diária pela sobrevivência sentimental. eu não sei ser diferente do que sou e sempre fui muito clara em relação a isso. eu não quero fazer parte de um jogo regrado de mistérios, egocentrismos, orgulhos bestas taxados como amor próprio. se a falta de amor próprio é ser transparente o suficiente pra colocar as cartas na mesa, sou desprovida de. o ponto é que quando se respeita a si próprio, quando você se entrega, se re-entrega, se disponibiliza, se redime, se expõe por completo ao amor ou a qualquer sentimento semelhante a, você se respeita. e se mostra auto-suficiente para enfrentar qualquer tipo de dor e de sofrimento. e é muito melhor ser assim e usufruir dessa simplicidade toda, do que se esconder dentro do próprio ego. sem interpretar os sinais do outro como fraqueza e sim como respeito próprio, como sinceridade. sem dupla face. se o mundo prefere fechar as portas pra pessoas assim, viro as costas e procuro um outro lugar pra ser com. em essência.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

São Paulo, 4/7/97,

Esta não será uma carta de amor. Digamos que ela seja uma carta-desabafo. Cafona? Exatamente. Cartas ridículas lotam os anais das obras afetivas, aquelas que um dia nos montam de vergonha. Mas eu posso, afinal de contas. Eu, aliás, posso qualquer coisa. Há muito tempo venho me permitindo não mais me preocupar com certos códigos externos de conduta. Como fazer, o que não fazer, pra que fazer. Tudo o que não fiz foi porque não quis, detesto que me ditem regras. Sou geniosa. Sob consulta, diriam: não ligue pra ele, não diga que sofre com esta distância. Só que não suporto o gosto de sapo. Não engulo, sequer aproximo a boca. Não gosto de quem não me trata bem. Sapos, como a maioria dos répteis e razoável parte das pessoas, são gelatinosos, escorregadios; previsíveis em suas estratégias de pulinhos desordenados. Aqueles consultores, os que não tenho, diriam-me na certa: carta-desabafo? Jamais! Nada melhor que o desprezo! Gente, eu matava quem inventou esta pérola da babaquice humana. Se desprezo funciona, para mim, é para eu deixar de gostar de quem se utiliza dele. Não me ligando. Somente para isso. No mais, no máximo, o desprezo me serve como imediato desencanto. Você agiu de propósito? Uma tática Proposta Indecente? Se foi, tsi, péssima solução. Eu, por minha vez, tranqüila - estou calma como... o que é supercalmo?... como uma monja gorda, eremita, no mais alto cume do Tibete -, devo dizer pra você uma coisa: estava tão certa de que uma paixão não deve ser jamais sublimada, já que assim torna-se cancro, que me encontrava disposta a também realizar este mesmo sentimento. Com certeza e força. Com toda a beleza e liberdade. Porque não haverá, nunca, algo que consiga ser maior que a liberdade. Eu fiz tudo pra ser livre, e o meu amor haveria de ser poupado da dor, uma vez que sabe-me livre. Conheceu-me livre. Amou-me por eu ser livre. Mas Santo Expedito agiu rápido, obrigada, Senhor. A graça alcançada? Minha paixão diluiu, mais nenhum telefonema, que não os que sempre me trouxeram amor verdadeiro, duradouro e inigualável. Não há desculpas de "estou ocupadíssimo"; um homem que me tem amor jamais está ocupado demais para falar-me oi.
Carta-desabafo?! Foda-se.


As Pessoas dos Livros - Young